sexta-feira, 10 abr. 2026

Desastre na Etiópia põe em causa Boeing 737 MAX 8

Vários países proibiram os novos modelos da Boeing de levantar voo, por receio de uma falha, após dois desastres que mataram 346 pessoas
Desastre na Etiópia põe em causa Boeing 737 MAX 8

Operadoras aéreas de todo o mundo deram ordens para que os seus aviões Boeing 737 MAX 8 ficassem confinados a terra, devido a preocupações com a segurança, após um destes aparelhos ter caído na Etiópia, este domingo, causando a morte das 157 pessoas a bordo. A aeronave da Ethiopian Airlines tinha acabado de levantar voo da capital, Adis Abeba, quando o piloto notificou os controladores aéreos de que estava com problemas técnicos, tendo pedido autorização para regressar. O avião despenhou-se pouco depois.

É a segunda vez em menos de seis meses que um destes novos modelos cai poucos minutos após o início do voo. Ainda em outubro, um Boeing 737 MAX 8 que levava 189 pessoas a bordo caiu no mar de Java, perto de Jacarta, na Indonésia, sem deixar sobreviventes. 

“Dado que em ambos os desastres aéreos as aeronaves eram dos recém-entregues Boeing 737 MAX 8, e que ambos os acidentes ocorreram durante a descolagem, há certas semelhanças”, explica a Administração da Aviação Civil chinesa. A China tem a maior frota destes aviões do mundo, com 97 Boeing 737 MAX 8, tendo sido um dos países que mantiveram estes aviões em terra, até que a Boeing e as autoridades americanas consigam garantir a sua segurança.

Para além das operadoras chinesas, estes modelos ficarão em terra nas ilhas Caimão, Indonésia e na Etiópia. A Ethiopian Airlines, a maior operadora aérea de África, já anunciou que não irá utilizar os seus quatro aparelhos deste modelo, tendo mais 25 encomendados.

O diretor executivo da Ethiopian Airlines, Tewolde GebreMariam, confirmou que não existe nenhuma explicação óbvia para o incidente além de uma falha estrutural. Garantiu que se tratava “de uma aeronave acabada de adquirir, sem nenhuma anotação de problemas técnicos, tripulada por um piloto experiente”, acrescentando: “Não há nenhuma causa que possamos atribuir por agora.” 

Mary Schiavo, antiga inspetora-geral do Departamento de Transportes dos EUA, qualificou os dois incidentes de “altamente suspeitos”, em declarações à CNN. Schiavo notou: “Temos um modelo de aeronave acabado de estrear que caiu duas vezes num ano. Faz soar os alarmes na indústria da aviação, porque isso não acontece por acaso.”

A preocupação com possíveis falhas estruturais nos Boeing 737 MAX 8 parece ser partilhada por boa parte dos investidores. As ações da empresa caíram a pique logo na segunda-feira de manhã, numa quebra de 12% do seu valor de mercado, ou seja, cerca de 28 mil milhões de dólares (24,9 mil milhões de euros). Caso mais países proíbam o modelo em questão de levantar voo, ou suspendam as suas encomendas, a situação ainda poderá piorar para a multinacional norte-americana, que tem cerca de cinco mil encomendas pendentes deste modelo. Aliás, a empresa tinha tido grandes ganhos na bolsa este ano, com as suas ações a subir 14,9% até à quebra de ontem.

A Boeing já respondeu em comunicado, indicando que a investigação ao desastre na Etiópia ainda está na fase inicial e, como tal, não dará novas linhas orientadoras às operadoras aéreas que utilizem o Boeing 737 MAX 8. A empresa afirmou estar “a trabalhar de forma próxima com a equipa de investigação e com as entidades reguladoras”, garantindo estar a “tomar todas as medidas para perceber por completo todos os aspetos deste acidente”. E reforçou: “A segurança é a nossa prioridade número um.”

Apesar das garantias da Boeing, a “determinação final” das causas do acidente poderá demorar anos, afirma o especialista em aviação Richard Quest, em declarações à CNN - deixando assim a incógnita de o que fazer aos mais de 300 Boeing 737 operacionais em todo o mundo até que sejam apuradas as causas dos acidentes.