terça-feira, 08 set. 2026

Centro Hospitalar de Lisboa em crise

Falta de recursos humanos e insegurança ameaçam unidades hospitalares de Lisboa
Centro Hospitalar de Lisboa em crise

Depois da denúncia da falta de segurança por parte das Urgências de São José, vários profissionais de saúde apresentaram a carta de demissão à administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC). Às demissões do São José, juntam-se a Maternidade Alfredo da Costa (MAC). No entanto, a administração do CHLC garante, em entrevista à Lusa, que a população pode continuar a dirigir-se tranquilamente a estas unidades de saúde, destacando o esforço de todos os profissionais que mantém o funcionamento de serviços.

Esta quarta-feira, a Lusa divulgou a carta de demissão de chefes de equipa de urgência da MAC, que denunciam as condições de trabalho que levam os profissionais à “exaustão” e a falta de recursos humanos. "Já alertámos várias vezes para a exaustão dos profissionais, que se agravará com o período de férias que se aproxima", pode ler-se na carta. Segundo o documento, o número de horas extra excede "há vários meses" o que está previsto por lei; estes profissionais de saúde referem ainda que os enfermeiros encontram-se em situação semelhante.

A presidente do CHLC, Ana Escoval, reagiu esta tarde às demissões, admitindo que existe uma falta de recursos humanos: "Não houve um investimento na substituição de pessoas durante algum tempo, houve anos em que praticamente não entraram recursos humanos e saíram muitos”, disse à Lusa.

Quanto ao Hospital de São José, 16 chefes de equipa das urgências terão pedido a sua demissão devido à falta de condições de segurança. A presidente do CHLC garante que é seguro recorrer ao São José, mas reconhece alguns problemas que foram identificados pelos profissionais. "Quero que todos os que aqui se dirijam [ao Centro Hospitalar] venham tranquilos. Os profissionais chamam-nos a atenção para as dificuldades que sentem, mas estão lá todos. É preciso passar esta mensagem de tranquilidade à população", explicou esta quarta-feira a responsável.

Face a esta crise, Ana Escoval diz que neste momento “a nossa grande preocupação, o nosso trabalho, tem sido tentar rejuvenescer os recursos humanos”. No entanto, a presidente sublinha a “dedicação, capacidade de resiliência e capacidade de resposta clínica de alto gabarito”.

A Ordem dos Médicos já reagiu à crise do CHLC. Segundo o presidente do conselho regional do Sul da Ordem, Alexandre Valentim Lourenço, a escassez de pessoal vem demonstrar a incapacidade de as unidades "poderem responder às necessidades dos doentes”. "Espero que a administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central cumpra as suas funções e resolva rapidamente os problemas", disse à Lusa. No entanto, o presidente afirma que a situação das demissões na MAC "está controlada e ultrapassada".