quarta-feira, 12 ago. 2026

Rajoy só não caiu ontem por teimosia, depois de o PNV apoiar a censura

O presidente do governo esteve no começo da discussão da moção de censura do PSOE, mas na tarde de ontem já não compareceu no debate
Rajoy só não caiu ontem por teimosia, depois de o PNV apoiar a censura

Hoje será o primeiro dia do resto da vida de Mariano Rajoy. O presidente do governo espanhol recusou-se até ao fim a apresentar a sua demissão, mesmo depois de o Partido Nacionalista Basco (PNV na sigla em espanhol) anunciar a sua decisão de apoiar a moção de censura apresentada pelo Partido Socialista (PSOE) e tornar quase um pró-forma a votação de hoje.

Na tarde de ontem, já não se viu o líder do PP no parlamento espanhol, depois de ter feito a sua defesa durante a manhã, mas hoje deverá estar no Congresso de Deputados para votar a moção. Rajoy recusa demitir--se porque seria assumir que ele próprio e este executivo têm alguma coisa a ver com o saco azul do chamado caso Gürtel, que valeu a condenação do ex--tesoureiro do partido, Luis Bárcena, a 33 anos de prisão. O tribunal chegou à conclusão de que o PP tinha um esquema institucional de corrupção.

“Um dirigente demite-se quando perde o apoio dos cidadãos ou da câmara, e eu tenho o apoio dos cidadãos e, de momento, da câmara”, afirmou Rajoy no parlamento, num discurso que seria desmentido durante a tarde, quando o PNV publicitou a sua decisão de votar favoravelmente a moção socialista e mostrar que o primeiro-ministro já não tem o apoio da câmara. A moção precisa de pelo menos 176 dos 350 deputados para passar hoje. Os cinco assentos do PNV deixam-na com 180, mais do que suficiente para pôr um ponto final no atual executivo.

Na Constituição espanhola, a moção de censura derruba o governo, mas não obriga a eleições imediatas, pois o partido que a apresentou pode formar um novo executivo com base na maioria absoluta que apoiou a sua votação. E é isso que pretende fazer Pedro Sánchez, numa geringonça de sensibilidades políticas diferentes muito difícil de gerir. Aos dois grandes blocos do PSOE e do Unidos Podemos juntam-se seis partidos regionais, alguns secessionistas, como a Esquerda Republicana Catalã e o PDeCAT, do ex-presidente do governo catalão Carles Puigdemont, ainda no exílio.

Sánchez apoiou Rajoy na aplicação do artigo 155 da Constituição, que suspendeu as instituições autonómicas e é favorável à detenção dos dirigentes que participaram no referendo proibido e na declaração unilateral de independência.
No parlamento, o líder socialista prometeu diálogo aos catalães (“reconstruir as pontes queimadas”) e manter o orçamento aos bascos para conseguir o seu apoio, num discurso que foi um “programa de estabilidade” para o executivo que pretende conduzir. Pablo Iglesias, líder do Podemos, na sua declaração de apoio a Sánchez, mostrou-se disponível para uma coligação eleitoral futura. “Trabalhámos juntos nas comunidades, trabalhamos bem juntos, diria que temos é de ganhar juntos as próximas eleições gerais”, disse.