Partidos ignoram convite para participar em iniciativa pela vida independente

O Dia Europeu da Vida Independente ficou marcado pelo desinteresse dos partidos pela causa da comunidade de pessoas com deficiência
Partidos ignoram convite para participar em iniciativa pela vida independente

PS, PSD, CDS e PEV ignoraram o convite endereçado pelo Centro de Vida Independente (CVI) para participarem num debate sobre o presente e o futuro da Vida Independente, agendado para a última sexta-feira. A conversa, integrada na Vigília e Marcha pela Vida Independente organizada para assinalar o Dia Europeu da Vida Independente, celebrado a 5 de maio, acabou por não acontecer: PCP e PAN não conseguiram garantir a presença de representantes, tendo Jorge Falcato, do BE, sido o único deputado presente.

Entre 2 e 4 de maio, a comunidade de pessoas com deficiência esteve em vigília no Largo de São Domingos, em Lisboa. Pela vigília, com debates, música e oficinas, passaram cerca de 100 pessoas – muitas, como o deputado Jorge Falcato, pernoitaram no local. A iniciativa culminou numa marcha em que participaram duas centenas de pessoas, que desceram a Avenida da Liberdade no sábado. Além do deputado Jorge Falcato, os vereadores da Câmara Municipal de Lisboa Paula Marques e Ricardo Robles participaram no encontro.

Reivindicações

Carla Branco, secretária da presidência do CVI, explica ao i que mais do que assinalar o Dia Europeu da Vida Independente, a iniciativa serviu para reivindicar direitos. “Em causa está principalmente o reforço do financiamento destinado à constituição de Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI), que o governo fixou em 1,4 milhões de euros”. É através dos CAVI, a serem criados de norte a sul do país, que o programa Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI) – cujas regras foram estipuladas em outubro no decreto-lei n.º 129/2017 – será posto em prática a nível nacional, depois de ter sido testado em Lisboa, pela autarquia.

Para o descontentamento da comunidade de pessoas com deficiência contribui também o facto de as organizações candidatas a CAVI contarem apenas com 15% do montante total no arranque. “Para associações pequenas este modelo não é possível, há muitas despesas e não conseguem assegurá-las”, defende Carla Branco. Na sexta-feira, a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência disse à “Lusa” que tinha dificuldade em perceber as reivindicações na base da vigília e da marcha, uma vez que “sempre foi claro” que os CAVI faziam parte de um projeto-piloto. Para Ana Sofia Antunes, o objetivo deste projeto é, aliás, reunir “dados reais” para que, no fim dos três anos de duração, seja passado para legislação e incluído em Orçamento de Estado.