segunda-feira, 14 set. 2026

Morreu Afonso Dhlakama, líder da Renamo

O dirigente da Renamo, Afonso Dhlakama, morreu. Segundo informações a que o i teve acesso, a causa mais provável é ter falecido em consequência de diabetes. Mas há rumores em Moçambique que admitem a hipótese de Dhlakama ter sido envenenado 
Morreu Afonso Dhlakama, líder da Renamo

Afonso Dhlakama, 65 anos, morreu nas matas da serra da Gorongosa onde se encontrava escondido. Há versões contraditórias sobre a sua morte: Dhlakama sofria de diabetes, teve uma complicação e não foi possível evacuá-lo a tempo da província de Sofala, no centro de Moçambique, onde estava escondido desde 2015. Circulam, contudo, rumores de que o líder histórico da Renamo possa ter sido envenenado.

No dia 29 de Abril, a líder parlamentar da Renamo, Ivone Soares, tinha afirmado que Dhlakama poderia em breve abandonar o esconderijo e retomar a vida política institucional.

"Estamos a trabalhar para que a saída do presidente Afonso Dhlakama seja para breve com as medidas de segurança acauteladas e com o término das negociações militares que englobam garantias de que as forças residuais da Renamo vão ser acopladas dentro do exército único do estado moçambicano”, disse Ivone Soares.

Dhlakama assumiu a presidência da Renamo no auge da guerra civil em Moçambique, Em 1992, assinou com Joaquim Chissano, antigo presidente moçambicano, os acordos de paz em Roma que puseram fim a uma guerra civil que durou 16 ininterruptos e provocou centenas de milhares de mortos. É nessa altura que a Renamo passa a ser um partido político reconhecido. Mas em 2013, a violência regressa.

Dhlakama refugiou-se na província de Sofala em 2015. Entretanto, prosseguiam as conversações para um novo acordo de paz. No mês passado, Dhlakama afirmou a um semanário moçambicano que a Renamo só entregaria as armas em seu poder quando os seus oficiais fossem integrados no comando das Forças de Defesa e Segurança. O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, contestou a posição do líder da Renamo. “Como é que pode haver paz com armas? Não é possível paz com armas. Não há em nenhuma parte do mundo nem se pode deixar que isso aconteça”, afirmou Nyusi.