Casamento. Saiba quanto custa pedir um empréstimo para pagar os festejos

Para muitos casais o crédito pessoal é visto como uma tábua de salvação para suportar os gastos relacionados com a cerimónia. Saiba se compensa recorrer a este instrumento financeiro
Casamento. Saiba quanto custa pedir um empréstimo para pagar os festejos

Os preparativos de um casamento começam cedo e, na maior parte dos casos, implicam um gasto elevado. Principalmente se os noivos pretenderem “tudo aquilo a que têm direito”: copo de água com catering completo, noite de núpcias e lua-de-mel. A par do orçamento disponível, a partir do qual se começam a tomar decisões concretas sobre o que se pretende e quantas pessoas se vai convidar, é também necessário considerar como é que vai financiar esta data. E para muitos, embora as contribuições valiosas dos familiares com as despesas, pode ser necessário recorrer a um empréstimo para financiar o casamento. 

A verdade é que montante total despendido depende muito daquilo que os noivos pretendem: existem os que enveredam por um registo mais intimista, com poucos convidados e uma decoração mais simples, e os que não descuram uma autêntica festa de arromba com mais de duzentas pessoas.

A pensar nestes gastos a plataforma ComparaJá.pt reuniu todas as despesas médias relativas a um casamento tradicional, tendo por base um casamento com 120 convidados e outro com 200 pessoas. “Feitas as contas, um casamento modesto com cerca de uma centena de convidados pode custar cerca de 20 mil euros, sendo que se se alargar o leque para duas centenas e se optar por soluções um pouco mais luxuosas já poderá ficar em aproximadamente 36 mil euros, conforme consta da tabela abaixo, que inclui uma discriminação de todas as despesas inerentes a casar”, revela o estudo a que o i teve acesso.

O que é certo é que nem todos poderão ter esta quantia disponível ou poderão não querer mexer nas suas poupanças. Assim, pedir um empréstimo pessoal poderá ser visto como uma verdadeira tábua de salvação: o montante a pagar torna-se faseado e, como tal, mais fácil de liquidar. No entanto há perguntas que merecem resposta: qual poderá ser o custo deste tipo de empréstimo, se realmente compensa e que opções existem no mercado. 

Simulações

Vamos a números. Um casal que pretenda gastar mais de 20 mil euros, mas que precise de pedir um empréstimo de 12 mil euros por três anos terá de pagar entre 375 euros e 406 euros por mês. Tudo depende do banco que escolherem. “Depois de realizadas diversas simulações em vinte e uma instituições financeiras em Portugal, foi possível averiguar que a prestação mensal pode oscilar entre 375 euros (a opção mais acessível é do ActivoBank) e 406 euros (referente ao BIC), o que, no final do empréstimo, pode significar um preço total a pagar de 13.505 mil euros ou de 14.606 mil euros (portanto, mais de mil euros de diferença)”, diz a plataforma (ver tabela ao lado).

A TAEG deste tipo de empréstimo, e conforme as simulações acima apresentadas, pode ir de 8,1% a 14,1%, rondando, em média, os 12% no mercado. Mas nem tudo são facilidades. “É preciso ter ainda em atenção que a maior parte das entidades financeiras obriga à abertura de conta no banco para conceder um crédito pessoal e da lista apresentada. Somente o Unibanco, a Cofidis, o Credibom, a Cetelem e a Oney não obrigam a ser cliente”, diz o estudo.

Já para quem pretende pedir um empréstimo de 21600 euros a 48 meses terá de pagar entre 520 e 582 euros mensais. “Uma diferença de 62 euros que, no final do prazo, se repercute numa disparidade de quase três mil euros no montante total imputado ao consumidor (MTIC), entre a opção mais acessível, que é a do ActivoBank com uma TAEG de 7,5% e um MTIC de 24.971 mil euros - mas que é exclusiva apenas para clientes do banco - e a mais dispendiosa, que é a do BIC com um MTIC de 27.935 mil euros e uma TAEG de 14,1%”, refere o mesmo documento.

Cuidados a ter

Mas para que o crédito pessoal seja aprovado é necessário cumprir determinados requisitos. Ter um histórico de crédito saudável, emprego estável, pouca ou nenhuma dívida e um fundo de emergência robusto são algumas das exigências. “Quem se encontrar nestas circunstâncias estará bem posicionado para pagar com sucesso e sem percalços a dívida. Além disso, aumentará as probabilidades de alcançar uma melhor negociação com a instituição bancária, nomeadamente através de prazos de pagamento mais flexíveis ou de taxas de juro mais baixas, especialmente se já for cliente do banco em questão”, salienta a plataforma.

Como escolher? Deve ter em conta a taxa de juro que irá pagar. A fórmula é clara: em vez de procurar a taxa anual nominal (TAN) mais baixa, deve tentar encontrar a taxa anual efetiva global (TAEG) mais reduzida. Esta última opção contém todos os encargos (juros, comissões, impostos, seguros de crédito e outros) incluídos no custo do crédito.

Além de examinar a TAEG e outras comissões, certifique-se de que sabe se está isento de algumas taxas ou se pode beneficiar de ofertas de adesão que amenizem a mensalidade que vai pagar. Não se esqueça que a taxa de juro aumenta na mesma proporção que aumentar o prazo de pagamento.

Não há nenhum teto máximo mas, dependendo do historial de crédito e das políticas internas da instituição financeira, há casos em que é possível pedir até 50 mil euros. Mas também aqui é preciso ter outros fatores em conta: “para um montante como este, o mais provável é serem necessários, pelo menos, cinco anos (60 meses) para abater a dívida e uma mensalidade que poderá rondar os mil euros. É importante que o casal verifique que este montante não ultrapassa a sua taxa de esforço e que não se torna demasiado pesado para o orçamento mensal”, diz ao i o diretor-geral da plataforma, Sérgio Pereira.


 

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