quinta-feira, 11 jun. 2026

No clube de Scolari só se for made in China

Um plantel 100% chinês é o objetivo do clube orientado por Scolari. Meta já tem data definida
No clube de Scolari só se for made in China

Mais um episódio na novela Super Liga Chinesa, que parece não ter fim. O último highlight pertence à nova política de contratações adotada pelo Guangzhou Evergrande, clube chinês treinado por Luiz Felipe Scolari, hexacampeão da China.

O dono do clube anunciou que quer ter uma equipa formada apenas por jogadores do país, até 2020. Na perspetiva de Xu Jiayin a equipa ideal para o Evergrande “é constituída apenas por chineses e inclui um treinador de topo mundial”. Uma opção no mínimo curiosa, tendo em conta os gastos feitos pelos clubes chineses em estrelas internacionais na última época: um valor que ascende aos 400 milhões de euros.

No Evergrande o destaque vai para Jackson Martínez, ex-FC Porto, uma transferência que custou aos cofres do clube 42 milhões de euros. O mito tornou-se real e vários craques do futebol europeu não tardaram a rumar ao país asiático.

Carlos Tévez e o brasileiro Oscar são dois dos nomes sonantes que entram na lista dos que abandonaram os respetivos clubes, Boca Juniors e Chelsea, para se tornarem os jogadores mais bem pagos do mundo.

As contratações ‘loucas’ chamaram a atenção do órgão responsável pela regulação do desporto na China. “O gasto irracional” em jogadores estrangeiros é apenas um dos pontos visados pelo organismo que pretende estabelecer um “valor máximo na compra de futebolistas e dos seus salários”.

Três em campo

Uma das medidas colocadas em prática para contrariar a tendência foi a redução do número de jogadores estrangeiros permitidos em campo (de quatro jogadores para três). Uma decisão protecionista relativamente aos jogadores nacionais que acabou por não agradar a todos. André Villas-Boas, um dos treinadores mais bem pagos do mundo desde que aterrou no comando do Shanghai SIPG, criticou a medida. Nas contas do técnico português entram vários nomes internacionais, caso do brasileiro Oscar, Elkeson e Hulk, o central uzbeque Akhmedov, bem como o central português Ricardo Carvalho. A juntar a estes quatro nomes foi recentemente confirmada a intenção de avançar para a aquisição de Wei Shiao (avançado que soma 21 jogos e dois golos pelo Leixões esta temporada). “A maioria dos clubes planeou a equipa tendo em conta as regras anteriores”, referiu Villas-Boas, que prometeu ao presidente do SIPG que, no final da temporada, ele “dormiria com um troféu”.

A par da redução do número de jogadores estrangeiros, o estabelecimento máximo de um teto salarial é outra das propostas. As quantias astronómicas que muitas vezes levam um jogador a aceitar mudar de um colosso europeu para a China, constituem um motivo de preocupação. Mas há quem esteja por lá e não coloque essa opção no topo das prioridades.

“Não vai dar para gastar o que ganhar” O chileno Manuel Pellegrini foi um dos treinadores que aceitaram o desafio. Rumou para o Heber China Fortune, mas aos 63 anos garantiu ao jornal “Marca” que “se cumprir o contrato estabelecido [dois anos e mais um de opção] não terei tempo para gastar o que ganharei na China. Por isso, não é uma questão de dinheiro, mas de projeto”.

Sem projetos na Europa, o técnico chileno considerou a “proposta sedutora”. A aventura na China está agendada para março, altura em que arranca a Liga. Scolari quer manter a hegemonia, Villas-Boas tem uma promessa a cumprir e Pellegrini está em busca do primeiro título no Oriente...

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