segunda-feira, 12 jan. 2026

Dito & Feito

 Assim sendo, em outubro, vamos ter uma CGTP nas ruas, em ruidosos protestos, e um PCP em casa, recatado e pragmático. O que pode causar alguns distúrbios de dupla personalidade e esquizofrenia política em muitos dirigentes comunistas.
Dito & Feito

A Comissão Europeia não avançou com sanções, mas exige ao Governo de António Costa medidas de consolidação adicionais ainda em 2016 e um reforço do ajustamento e das reformas estruturais no Orçamento para 2017.

E estabelece o prazo-limite de 15 de outubro. Para sossegar as autoridades europeias, Costa e Centeno já prometeram cativações da despesa pública de mais de 500 milhões de euros ainda este ano e o congelamento de salários e progressões, entre outras medidas de continuação da austeridade.

Face a esta conjuntura, não deixa de ser curioso verificar que a CGTP e o PCP não falam, por uma vez, em sintonia. Arménio Carlos clama que «o Governo tem que ir mais longe» no aumento da despesa pública em favor dos trabalhadores e deve «confrontar Bruxelas». O líder da CGTP recorre mesmo a uma imagem automobilística: «Até agora, andámos com a primeira velocidade. Neste caso concreto, exigimos ao Governo que meta a segunda velocidade no carro, para depois meter a terceira e apanhar a velocidade de cruzeiro».

E se isso não for possível? «Nesse caso, o Governo tem que ir à oficina para arranjar a caixa de velocidades», dispara Arménio, concluindo com uma ameaça: «Se não for este o caminho, então o Governo está a pôr em causa o seu próprio futuro». Já Jerónimo de Sousa tem um discurso mais cauteloso e apaziguador. Desenganem-se, avisa o líder do PCP, «alguns setores que pensam que o PCP vai fazer a cama» ao Governo do PS no OE para 2017. Mesmo porque, acrescenta Jerónimo, «até  ao momento, o essencial do acordo com o PS foi concretizado».  O problema é que António Costa, com o crescimento da economia em ponto morto,  já dá sinais de que irá utilizar a caixa de velocidades para meter a marcha-atrás em 2017. Assim sendo, em outubro, vamos ter uma CGTP nas ruas, em ruidosos protestos, e um PCP em casa, recatado e pragmático. O que pode causar alguns distúrbios de dupla personalidade e esquizofrenia política em muitos dirigentes comunistas. O OE de 2017 vai deixar a CGTP, o PCP e a ‘geringonça’ à beira de um ataque de nervos. E de se desconjuntarem ao mínimo abalo.  

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