As primeiras declarações de Svetlana Aleksievitch depois de receber Nobel da Literatura

Em declarações por telefone à televisão pública sueca SVT, Svetlana Aleksievitch, 67 anos, disse que conquistar o Nobel da Literatura é "uma sensação fantástica, mas, ao mesmo tempo, um pouco perturbadora". 
As primeiras declarações de Svetlana Aleksievitch depois de receber Nobel da Literatura

"Penso de imediato em grandes nomes como Bunin Pasternak", disse, referindo-se a Boris Pasternak, poeta e romancista russo, autor de "Dr. Jivago", distinguido com o Nobel da Literatura em 1958.

Ao jornal Svenska Dagbladet, a autora explicou que, pessoalmente, o galardão ser-lhe-á favorável: "Significa que já não será tão fácil os poderosos da Bielorrússia e da Rússia repudiarem-me com um gesto".

Svetlana Aleksievitch é a primeira jornalista mulher a ser distinguida com o Nobel da Literatura e receberá o galardão, no valor de 860.000 euros, a 10 de dezembro, em Estocolmo. 

No anúncio, a Academia Sueca elogiou Svetlana Aleksievitch pela escrita "polifónica, um monumento ao sofrimento e à coragem no nosso tempo".

A academia refere que, devido às posições políticas críticas ao regime, Aleksievitch viveu exilada na Itália, França, Alemanha e Suécia.

Nascida sob bandeira soviética, em Ivano-Frankovsk, na Ucrânia, Svetlana Aleksievitch é filha de um militar bielorrusso e mãe ucraniana. Entre 1967 e 1972, a autora estudou jornalismo na Universidade de Minsk. 

Os seus livros estão traduzidos em 22 línguas e alguns foram já adaptados para cinema e teatro.

Em 2013 foi distinguida com o Prémio Médicis Ensaio pela obra "O fim do homem soviético", que encerra uma série de cinco volumes intitulada "Vozes da utopia", na qual aborda a ex-União Soviética (URSS) e a sua queda, numa perspetiva individual.

Este livro foi publicado este ano em Portugal, pela Porto Editora.

A série foi iniciada com "A guerra não tem o rosto de uma mulher" (tradução livre), primeiro livro da autora e que se baseia em entrevistas a centenas de mulheres que participaram na II Guerra Mundial (1939-45). 

Lusa/SOL

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