terça-feira, 13 jan. 2026

Heloísa Apolónia: a deputada que aprecia o confronto

Raros foram os debates quinzenais na Assembleia da República que não deram origem a notícias com Heloísa Apolónia no título. A deputada do Partido Ecologista ‘Os Verdes’ (PEV), eleita nas listas da CDU (PCP e PEV) desde 1995, aprecia o confronto directo e não perde uma oportunidade para questionar as políticas do Executivo.
Heloísa Apolónia: a deputada que aprecia o confronto

A expectativa é, por isso, elevada para o frente-a frente com Paulo Portas. É a primeira vez que Heloísa Apolónia participa em debates eleitorais em representação da CDU. Até agora foi sempre Jerónimo de Sousa. A decisão da Coligação Democrática Unitária conhecida esta semana. Paulo Portas manifestou-se hoje “encantado” com a possibilidade de debater com a deputada do PEV. E deixou ainda uma nota, com ironia:

“Em nenhum país comunista haveria um debate com os adversários políticos, porque, se houvesse, era o último. Como sabem, ou lhes cortavam a cabeça ou os prendiam. Em democracia trocamos ideias naturalmente, civilizadamente”, sublinhou.

Heloísa Apolónia, 46 anos, é licenciada em Direito, jurista de profissão e há 20 anos que é eleita deputada pelo círculo eleitoral de Setúbal. 

Desde que a coligação PSD/CDS tomou posse em 2011, Heloísa Apolónia esteve entre os momentos mais quentes dos debates quinzenais ao desafiar o guião da maioria. No debate quinzenal de 24 de Maio de 2013, por exemplo, Passos Coelho deixou a deputada do PEV sem resposta por considerar que Apolónia usara termos desadequados quando se discutia a política económica do país. 

Passos foi aplaudido pelas bancadas do PSD e do CDS mas da bancada dos comunistas gritava-se que é “obrigação constitucional” do primeiro-ministro responder às perguntas dos deputados. “Gostava de saber que termos foram utilizados para que o senhor primeiro-ministro se dê ao desplante, peço desculpa pelo termo, de dizer que não responde a uma pergunta de uma deputada”, insistiu Apolónia. De nada valeu.

Não foi, contudo, a primeira vez que Apolónia ficou sem resposta. Em 2012 (30 de Março), Passos deixara a advogada… sem resposta. Discutia-se a reforma curricular e Heloísa Apolónia considerou que Passos não estava a ser claro sobre se essa reforma implicava o despedimento de professores. A deputada não foi por menos e comparou Passos a José Sócrates.

“O senhor primeiro-ministro está a ficar demasiado socrático. Não responde. Não está a responder às questões que colocamos directamente e que afectam directamente vida portugueses", atirou. O primeiro-ministro ficou em silêncio.

O confronto entre Apolónia e José Sócrates também esteve na origem de momentos de calorosa discussão no hemiciclo. Como aquele em que o socialista acusa ‘Os Verdes’ de serem um apêndice do PCP. “Estamos todos ansiosos por uma vez na nossa vida política assistir a quanto vale eleitoralmente o partido de vossa excelência, senhora deputada”. A deputada do PEV não deixou o então primeiro-ministro sem reposta:

“Tenho toda, toda a autoridade para falar nesta casa, e toda a legitimidade para falar nesta casa. Quer o senhor primeiro-ministro goste, quer não goste. ‘Os Verdes’ concorreram às eleições, estou eleita candidata pela CDU pelos Verdes e o senhor primeiro-ministro quer goste ou não goste vai ter que nos ouvir”, clarificou. 

ricardo.rego@sol.pt

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