terça-feira, 16 jun. 2026

Estados de Alma

1. Taxa de desemprego. A polémica tem sido ridícula e, para mais, deseducativa. A definição do que é estar desempregado ou empregado não é feita pelo INE ou pelo Governo. É uma convenção estatística universal  vigiada, na Europa, pelo Eurostat. Privilegia-se, aqui, a comparabilidade internacional e também inter-temporal. Por muito contra-intuitivo que pareça, para uma pessoa ser considerado desempregada é preciso demonstrar que, num dado período de referência, efectuou diligências activas para procurar um emprego (por exemplo, respondeu a anúncios ou foi a entrevistas de emprego); caso o não tenha feito, por muito razoáveis ou justos que sejam os motivos,  ela será considerada inactiva -  ou seja, nem empregada nem desempregada. Sendo benevolente, o erro reside nos olhos de quem pretende extrair mais informação  do conceito de que ele na realidade pode dar. A taxa de desemprego não é uma estatística suficiente para caracterizar o estado de mercado de trabalho: por si só não nos diz nada sobre a inactividade, sobre a precariedade, sobre o emprego, sobre os fluxos de criação e destruição de emprego ou sobre a eficiência económica. Mas o que não é honesto é considerar que o indicador está certo quando aumenta,  mas que terá sido manipulado quando desce.
Estados de Alma

2. Presidenciais. A mais que provável candidatura de Maria de Belém Roseira à Presidência da República é uma boa notícia para a esquerda e para a democracia. O PS e a esquerda moderada estavam encostados à parede pela candidatura extremista e anti-regime de Sampaio da Nóvoa que, vitoriosa, não só tentará arrastar o país para uma aventura grega como presidirá a uma suposta regeneração, à la PRD, do sistema partidário.

3.Criatura e criador. Como benfiquista fiquei muito preocupado   com o que vi na Supertaça. Em pouco mais de um mês o Sporting parecia o Benfica campeão; em pouco mais de um mês o Benfica campeão parecia... enfim, nada. Vendo o meu Benfica veio-me à memória um epigrama atribuído a Marcello Caetano: a equipa revelou “coisas boas e originais: só que as boas não são originais e as originais não são boas”.