quinta-feira, 05 mar. 2026

Menos grego

A vitória massiva do ‘não’ no referendo grego não me surpreendeu. Andei durante a semana que o antecedeu a twittar o meu receio de esta suspeita se confirmar. Os gregos são muito assim: entre um ‘sim’ e um ‘não’ não resistem a um virar de costas teatral. Entre viver mal e morrer, optam pelo suicídio. É uma maneira de estar na vida que pessoas como Marine Le Pen ou Nigel Farage confundem com ‘coragem’, uma virtude que tem pouco que ver com esta fuga para a frente temerária de Tsipras. O que a Grécia pode esperar nos próximos anos é um aumento dramático da pobreza. Os defensores fervorosos do ‘não’ confundem prudência com medo e insultam pessoas racionais que se recusam a saltar para o abismo. A única boa notícia no rescaldo do referendo foi a demissão do ministro das Finanças grego. Já vai tarde. Seja como for, é um bom sinal de Tsipras para reiniciar as negociações. Porque é disto que se trata: negociar. Mas negociar implica ser menos grego. 
Menos grego

Não compensa

Num tribunal em Miami aconteceu um episódio insólito. Uma juíza chamada Mindy S. Glazer preparava-se para se pronunciar sobre um homem acusado de roubo, Arthur Booth, quando lhe perguntou se tinha frequentado a Nautilus Middle School. O homem desatou num choro incontrolável porque olhou para Glazer e percebeu que tinham sido colegas de escola em crianças. Confrontado com as palavras da juíza, «era um óptimo rapaz» e «jogava futebol com ele», Booth deitou as mãos à cabeça. Aqui estava uma antiga colega com uma vida pacífica e dentro da lei. Não passou pela cabeça de Booth desatar a culpar o sistema pelas suas escolhas. Deitou as mãos à cabeça precisamente porque se apercebeu das suas péssimas opções, que o tinham levado a uma vida de criminalidade. Uma familiar chegou mesmo a dizer que podia ter sido ele a estar no lugar da juíza. O momento é revelador da sociedade americana e pode ter sido de grande eficácia para a reabilitação de Booth. 

Sexo!

Na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, sob o auspício da cátedra de Comunicação Social, Sexualidade e Géneros, é organizado o ciclo Quartas-feiras de Prazer. As actividades universitárias costumam ser normais, mas na semana passada um grupo feminista espanhol foi convidado para se juntar a uma performance ‘pós-porno’. Começou num estúdio de televisão da faculdade, continuou pelos corredores e acabou na entrada, onde os militantes políticos se reúnem. A ideia era «representar a sexualidade invasora dos espaços não sexualizados». Foi um escândalo. O reitor procura agora cabeças para cortar. Mas o mais curioso foi a discussão não ter sido sobre a performance mas sobre os sítios onde decorreu. Os trotskistas queixaram-se de os artistas estarem a copular em cima das mesas onde militam. Já o chefe de gabinete da Presidência argentina comentou que «se for uma maneira de defender o ensino público superior, se calhar...»     

Barbatana

Abriu no Centro Comercial das Amoreiras um restaurante com luz natural chamado Barbatana. O restaurante faz parte do grupo que inclui o célebre Porto de Santa Maria, o que dá garantias quanto à qualidade da comida e do serviço. É um restaurante de peixe e marisco, onde se pode almoçar e jantar por preços muito diferentes, consoante o sítio em que se sentar. Se quiser passar pela experiência de se esquecer completamente que está dentro de um centro comercial, almoce ou jante na sala. Se quer comer depressa e bem, então é preferível ficar ao balcão. Para primeira vez preferi ficar na sala, mas fiquei a pensar no balcão para uma segunda visita em breve. Já quanto à ementa, gostaria de passar o resto do ano a experimentar os pratos que anuncia. O método de grelhar o peixe é perfeito e respeitador da qualidade e do sabor. Vê-se que alguém pensou com cuidado no que quis oferecer aos clientes. O Barbatana tem, além de tudo, que é muito, um belo nome. 

Lehman Sisters?

Uma explicação para o caos financeiro mundial apareceu num estudo realizado por economistas e neurocientistas em Inglaterra. Sabemos que trabalhar nas bolsas de valores causa stress. É menos mencionado, apesar de estar documentado, que produz adrenalina, testosterona e tudo quanto seja hormona entusiasta por grandes emoções. Dantes pensava-se que este tsunami hormonal era provocado pelos riscos da actividade, mas agora parece que é o excesso de produção das hormonas de combate que leva a procurar o risco e a um aumento da excitação. Funcionários da bolsa a quem foi administrada hidrocortisona para estimular as hormonas fizeram mais 70% investimentos de risco do que os que não tomaram nada. Curiosamente, ambos os grupos investiram o mesmo valor reduzido em mercados de baixo risco. Ainda não se sabe nada sobre o comportamento das mulheres nos mesmos meios, mas estou em pulgas para saber como se comportariam os mercados com outras hormonas.   
 

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