quarta-feira, 20 mai. 2026

Conspirações de A a Z

O nascimento do euro, a crise e a morte iminente da moeda comum europeia, as intervenções 'bondosas' do FMI na América Latina e em África nos anos 80, o nuclear na Guerra Fria. Mas também os Beatles e a música rock, a cultura light que povoa as TV de todo o mundo, entre muitas outras formas de alienação, parecem ter sempre a mesma fonte: uma reunião anual secreta entre os representantes da alta finança mundial, da política e dos media. A possibilidade de publicar sem filtro na internet dá uma ajuda considerável às teses conspirativas ligadas ao Grupo de Bilderberg. Há quem registe as origens do clube com certidão de nascimento na época do nazismo. Há, ainda, quem o situe na esfera dos rituais e preceitos de um culto semelhante a uma sociedade secreta.
Conspirações de A a Z

E há quem estique a corda do que alguns livros sobre Bilderberg têm trazido a lume. Logo em 2011, pouco tempo depois da publicação do livro de Daniel Estulin, o ex-líder cubano Fidel Castro publicava um artigo no Granma - o jornal oficial de Cuba - confessando o seu espanto por estar a ler uma "história fantástica".

Espantado por desconhecer tal grupo, Fidel engatava a primeira no argumentário para só acabar na quinta velocidade: segundo ele - citava, na altura, o site noticioso Huffington Post - os académicos da Escola de Frankfurt (Adorno, Marcuse e Horkheimer são os exemplos mais mediáticos), de tendência marxista, ter-se-iam reunido diversas vezes com membros da família Rockefeller - cujos membros eram assíduos nas reuniões Bilderberg - nos anos 50 para burilar o que viria a ser a música rock.

O objectivo? Que pergunta... "Controlar as massas" terá escrito o ex-líder cubano. No topo dessa hierarquia da cultura popular globalizada nascente estavam, naturalmente, os Beatles. Só por curiosidade, a música dos britânicos esteve proibida em Cuba durante muito tempo, mas em 2000 foi inaugurado um Parque John Lennon em Havana, com a devida estátua do homenageado... Nada que tenha impedido, segundo Fidel, que os quatro de Liverpool tivessem saído da cabeça de um grupo de 99 de Bilderberg. 

ricardo.nabais@sol.pt