sexta-feira, 08 mai. 2026

Regresso a Luanda

Quando se sai de Lisboa com as temperaturas a rondarem os 10 graus é sempre um prazer aterrar numa cidade onde os termómetros se aproximam dos 30oC. E se há terra onde o calor se reflecte na animação nocturna, Luanda está seguramente nessa lista. Ao contrário do que se passa no início da jornada de trabalho, onde os expatriados que estão nos hotéis aguardam pacientemente que chegue a sua boleia, só abandonando o interior dos mesmos nesse momento, à noite o medo dá lugar à alegria e poucos parecem preocupar-se com a segurança, embora tomem as devidas precauções. Claro está que aqueles que já vivem na capital angolana há algum tempo têm um comportamento diferente, já que estão habituados ao reboliço da cidade.
Regresso a Luanda

No primeiro fim-de-semana em Luanda apenas fomos a um bar, já que o cansaço falou mais forte. Mas foi uma agradável surpresa, já que a Taberna Urbana, na Baixa da cidade, é um bar totalmente despretensioso, onde a decoração tem pormenores curiosos, nomeadamente, o armário de guardar os copos por baixo do balcão, e em que os angolanos casam bem com os expatriados. São sobretudos jovens licenciados que fazem trabalhos para consultoras aqueles que optam pela Taberna. Fogem ao 'comercialismo' da ilha e dão ares de serem da linha do Elinga, o bar-dançante que acolhe a fauna mais alternativa da sociedade luandense e dos próprios expatriados. No dia em que fomos à Taberna a noite era dedicada ao reggae, onda que não é bem a minha praia, mas acabei por nem dar por isso, tal era a descontracção. Nem mesmo quando a luz falhou alguém se importou com o facto.

Nos poucos dias que levo de Luanda constatei que no espaço de um ano abriram vários restaurantes, alguns dos quais começaram a todo o vapor e agora já estão a meio gás. Cada vez mais as pessoas procuram o que está na moda, seguindo rapidamente para outra paragem assim que abre a nova porta. No entanto, há clássicos que resistem a tudo, até às músicas do Quim Barreiros que passam no meio das kizombadas. Há, de facto, gostos para tudo...

vitor.rainho@sol.pt