sexta-feira, 08 mai. 2026

A magia do Rio

O Rio de Janeiro tem mais encanto de dia, mas a noite tem outra beleza. Ao contrário de outras latitudes, muito do que acontece passa-se nos passeios dos famosos bares e restaurantes da Rua Dias Ferreira, no Leblon, onde milhares de pessoas vão bebendo enquanto estabelecem conversa com os amigos e com quem passa. Os restaurantes mais procurados - fui ao Brigite's e ao Quadrucci -, não vendem apenas comida e bebidas, pois o prato principal passa pela animação. Depois da janta o melhor é passar pelo Stuzzi, onde uma pequena cabina de DJ quase instalada no passeio serve para aquecer ainda mais o ambiente. Numa terra onde a temperatura, por esta altura, ronda os 30ºC são poucos os que optam por se fechar numa discoteca. Pelo que percebi, as discotecas ficam mais para os lados da Lapa e da Barra, pois no Leblon, Ipanema e Copacabana o que está a dar é ficar no 'boteco'. Casas como o Jobim registam enchentes de tal ordem que dá a ideia de estarmos no Cais do Sodré, embora com menos pessoas e muito mais alegria. E essa é para mim a grande diferença com Portugal. Por aquelas bandas as pessoas procuram mesmo divertir-se e gostam de aproveitar o momento.
A magia do Rio

 Apesar de ter muitas vantagens, o Rio perde, obviamente, na questão da segurança e no fundamentalismo antitabagista. Há pouco tempo lançaram uma campanha do Rio sem Fumo e tornou-se impossível fumar mesmo na rua se existir algum toldo por cima das nossas cabeças. Um verdadeiro absurdo que não é muito respeitado, e bem, no tal Stuzzi. Também assisti a pessoas bem mais velhas a fazê-lo nas esplanadas dos restaurantes mais afamados e a não ligarem aos protestos dos funcionários. A idade ainda é um posto. Por falar em idade, no Rio nos espaços mais procurados a clientela oscila entre os 20 e poucos até aos 70 anos. Já os mais novos procuram, essencialmente, as discotecas.

Outra diferença é que as pessoas saem praticamente todos os dias, até porque o fazem não ultrapassando as duas ou três da manhã. Não faltam espaços onde se possa comer até tarde e a tal questão da insegurança nem é bem visível nos espaços do Leblon. Mas a grande vantagem da noite do Rio é mesmo o calor das pessoas que adoram sacanagem e não têm cara de frete. Se estão ali é mesmo porque querem estar. Para viver o momento, pois amanhã pode ser tarde. 

vitor.rainho@sol.pt