De um grupo restrito de privilegiados que conseguiam aceder aos graus mais altos durante o Estado Novo, temos agora uma maior democratização da educação, em que jovens de quase todos os estratos sociais conseguem aceder a níveis de educação nunca antes ambicionados pelos seus pais.
No entanto, nem sempre o mercado de trabalho interno tem conseguido corresponder às expectativas dos nossos jovens licenciados. Em particular, na situação actual vivida no país, muitos acabam por seguir o caminho escolhido por muitos portugueses há algumas décadas atrás e abandonam o país, mas desta vez fazem-no com um diploma no bolso.
Não há dúvida de que o investimento na educação da população é crucial para o desenvolvimento de qualquer país. Já diz o conhecido ditado popular que para ajudar um pobre não lhe devemos dar peixe, mas sim ensinar a pescar. Mas ainda assim fica a faltar algo, um instrumento que lhe permita potenciar o seu conhecimento, neste caso uma cana de pesca. É justamente este instrumento que falta aos nossos licenciados: o mercado de trabalho interno. E por isso se vêm obrigados a emigrar.
Mas quais são as consequências para o país desta falta de oportunidades?
Em Portugal, os jovens de canudo na mão são confrontados com empregos escassos, mal pagos, e em que lhes são exigidas horas de trabalho longas para compensar a falta de produtividade que caracteriza grande parte das nossas empresas. Temos aqui um contraste claro com a situação encontrada pelos escassos licenciados que chegavam ao mercado de trabalho há algumas décadas atrás, a quem rapidamente era oferecido um emprego para a vida enquanto ao emigrante pouco qualificado (e muitas vezes desesperado) eram oferecidos os empregos que os locais não queriam fazer.
Actualmente, num mundo cada vez mais globalizado, onde a formação é valorizada, muitos jovens escolhem emigrar porque recebem bem melhores salários e perspectivas de carreira do que alguma vez poderiam ambicionar em Portugal.
Para Portugal, o custo da perda desta ‘geração de ouro’ será enorme se não foram tomadas medidas urgentes.
Poucos serão os que decidem voltar para um país estrangulado por impostos cada vez mais elevados e uma legislação laboral que beneficia os empregados de longo prazo com direitos adquiridos e descrimina negativamente mão-de-obra mais qualificada e jovem, que não consegue um vínculo laboral efectivo.
Sem o enquadramento laboral adequado, essas oportunidades continuarão a ser procuradas lá fora e o país continuará com uma produtividade, cronicamente, baixa e uma população cada vez mais envelhecida.
Criar condições para reter os nossos jovens qualificados é crucial, não para os que partem, mas para os que ficam. Para os jovens formados, felizmente, o mundo globalizado é deles.
Professora de Economia na Católica Lisbon School of Business and Economics