a isso associou, no dia do anúncio, um câmara clara especial que paula moura pinheiro dirigiu a partir do museu do fado e a que se juntaram algumas das melhores vozes do fado de hoje. e até aí, tudo bem, digno de elogio e condizente com o tal propalado apoio.
mas já se torna bem mais difícil de perceber como, para culminar, a rtp1 desbaratou tudo com uma grande entrevista de sandra sousa a celeste rodrigues, irmã de amália por capricho do destino e fadista por direito próprio graças à sua discreta mas notável carreira. celeste, de 88 anos e com um percurso riquíssimo – embora sempre demasiado escondido por ter optado viver à sombra da irmã –, foi reduzida pela jornalista precisamente à relação de parentesco, tendo por vezes quase forçado a sessão de espiritismo e posto celeste a responder por amália. de resto, a primeira pergunta que lhe saiu, de um despropósito total, inquiria sobre o que teria a diva do fado sentido com a distinção atribuída pela unesco. celeste, colocada no papel de porta-voz de amália, foi respondendo como pôde.
pouco preparada, persistindo em enganos, truncando declarações ouvidas nas imagens de arquivo que foram entremeando a entrevista, cortando rispidamente a palavra e insistindo em exigir a uma convidada que falasse quase em exclusivo da vida de outra, sandra sousa deixou uma certeza: a rtp não encontrou, ainda, sucessor(a) para judite de sousa.