terça-feira, 14 abr. 2026

Europa quer que Assembleia Geral da ONU condene regime sírio

Os países europeus estão a liderar um esforço para que a Assembleia Geral das Nações Unidas condene na próxima semana a repressão pelas autoridades da Síria, segundo fontes diplomáticas na ONU.
Europa quer que Assembleia Geral da ONU condene regime sírio

de acordo com um diplomata de um país europeu com poder de veto no conselho de segurança, a resolução está ainda a ser negociada, mas o objectivo é «condenar a síria pela repressão, apelar às autoridades para implementar o plano da liga árabe e as resoluções do alto comissariado de direitos humanos» da onu.

«tem um alto valor político. se a resolução for aprovada será por 193 estados, com provável patrocínio dos estados árabes», adiantou a mesma fonte.

a votação sobre a síria deverá acontecer na próxima segunda feira, referiu o mesmo diplomata.

as resoluções da assembleia geral não têm carácter obrigatório, como as do conselho de segurança, mas são vistas como instrumentos importantes de pressão diplomática.

o recurso ao plenário da onu foi visto como alternativa ao actual bloqueio no conselho de segurança, onde há pouco mais de um mês a rússia e a china vetaram uma resolução apresentada pelos países europeus.

apresentada por portugal, frança, reino unido e alemanha, a resolução condenava a violência na síria e abria caminho a sanções contra o regime.

foi a primeira a ser votada sobre o conflito na síria, após três meses de negociações e intensos contactos diplomáticos ao longo dos últimos dias para tentar encontrar uma posição de consenso dentro do conselho de segurança.

o embaixador russo na onu, vitaly churkin, afirmou que a resolução se baseava numa «filosofia de confrontação» e disse então que o caminho para a «resolução pacífica da crise» deve ser «o diálogo sírio», em vez de «ultimatos» contra o regime.

os países europeus reagiram de forma dura, acusando russos e chineses de promoverem o falhanço do conselho de segurança na protecção de civis e manutenção da paz.

moraes cabral, embaixador de portugal na onu, que preside ao conselho de segurança este mês, disse à lusa quarta feira que não está a ser trabalhada nova resolução, e que tal acontecerá em função dos resultados dos contactos ao nível da liga árabe.

sobre o apoio de portugal a uma condenação pelo conselho de segurança, o diplomata reserva-o para já, afirmando que será decidido «se houver um texto» e em função da sua «eficácia e credibilidade».

sobre alguma flexibilização de russos e chineses para deixar passar uma resolução contra o regime de damasco, o diplomata afirma que não tem havido discussões internas sobre o tema e que a julgar pelas declarações públicas da liderança destes países «não houve de facto ainda grande evolução».

de acordo com outro diplomata, de uma potência europeia, o conselho continua a ser uma «possibilidade», mas a oposição torna «difícil» uma tomada de posição.

«não houve grande evolução [na posição russa] desde o veto. vamos continuar o trabalho de discussão com eles. estamos dispostos a incluir garantias, levar em conta os ponto de vista dos russos», adiantou.

«não é possível o conselho ficar em claro. esperamos que eles se juntem à nossa voz, ou pelo menos não vetem. estamos numa óptica de protecção de civis, não de mudança de regime», sublinhou.

a resistência russa prende-se ainda com a forma como considera que foi usurpado pela nato o mandato de «protecção de civis» na líbia concedido pelo conselho de segurança, para derrubar muammar kadhaffi visando alvos militares.

na quarta-feira, a liga árabe deu à síria um novo prazo de três dias para por termo à repressão, ameaçando com sanções económicas ao regime de damasco.